Perdidos no deserto

 - Vamos morrer! - Disse o velho de nariz adunco e queixo afilado, desabando na areia. - O calor está me matando e não conheço mais nenhuma magia que possa nos ajudar. 

- Sobreviveremos, o pessoal depende de nós. Eu darei um jeito - e protege os olhos com a mão, aguçando a visão, em busca de alguma salvação.

- Você? Uma ladrazinha de aldeia? Você está fora do seu habitat, Aredhel. Se não foi com a minha magia, não será com a sua prestidigitação. Aqui, não há carteiras perdidas para você achar.

- Quer apostar?- 

Aposto o meu grimório!- E o mago aperta a mão da ladra, selado com um sonoro " feito". 

Os dois andaram horas, até avistarem uma miragem. Como estavam a esmo, não custaria nada averiguar mais de perto. E deu certo, de fato encontraram um pequeno Oásis cercado por dunas de areia. Foram muito bem recebidos pelos líderes locais. Respiraram mais aliviados debaixo de sombra e água fresca. 

- Como conseguiu?- Perguntou o mago. - Foi sorte, eu acho.- Mentirosa, diga a verdade, como?

- Tá, eu memorizei o mapa, antes que ele fosse queimado.

- E você me diz isso, agora? Depois de tudo o que passamos? - 

É que eu precisava de algum incentivo para lembrar, sabe? Ganhar um grimório novinho em folha me refrescou a memória.

-Ora, sua...- Levantou-se, erguendo as mangas do robe em desafio. A ladina deu um salto, ergueu-se para driblar as investidas do companheiro.

.- Calma, Nicolas! Não quero o seu livro de magias estúpidas! - o mago contorce o rosto de indignação.

- Só me ajude com o Arthur sobre aquilo! - Aquilo? Impossível! Os paladinos nunca vão contra o seu senso de justiça!




- Por isso estou te pedindo ajuda. Você é o mais sábio que conheço e Arthur te considera um irmão. Ele vai entender. - O elogio toca no ego e acalma o mago. Bem ou mal, a elfa salvou a sua pele e não foi a primeira vez. O fracasso de tal pedido é certo, mas ele tentará.

- Tudo bem, eu ajudarei. Mas não garanto nada. E estaremos quites. - E o acordo é selado com uma agradecido " obrigada". A noite termina com a contemplação de Huacachina, um paraíso no deserto.



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