Comida, bebida e negócios.

 A última missão foi um fracasso, tudo havia dado errado. O clérigo estava sem esperança; O guerreiro com a perna quebrada; O mago foi amaldiçoado; e o ladino? Refém de um traficante de pólvora, à espera de um resgate. Os recursos foram perdidos em um pântano, e as armas quebradas em combate. O bárbaro observou a situação, antes de tomar uma decisão. Fez aquilo que estava ao seu alcance. Foi beber na Taverna.


- Analisando a sua cara e a quantidade de cerveja que você está bebendo, aposto que a sua última missão não foi bem sucedida. Acertei?- O bárbaro bebe e arrota. O velho tinha uma barba branca e volumosa, suja de sopa - Entendi. Lamentável, meu amigo. Mas não desanime, a vida é cheia de oportunidades.- Tenta colocar ordem nos cabelos assanhados, sem sucesso.


- Prazer, me chamo Rumpelstiltskin. E você?- Sem resposta, pigarreia, antes de continuar.


- Entendo, você não é muito de falar. Devemos entender o nosso lugar no mundo, desculpe, não vou mais incomodá-lo com perguntas, deixa que eu te dou todas as respostas- E puxa um mapa amassado do casaco.


- Você já deve ter ouvido a lenda de Mabelle, filha do Duque de Coxias. A pobrezinha foi raptada por um lobisomem, em uma noite de lua cheia. O pai contratou os melhores mercenários para resgatá-la. Infelizmente, sem sucesso. A criatura queria algo além de ouro, queria o amor de uma bela jovem. A bela e a fera viveram juntas para sempre, isoladas do mundo civilizado, numa relação de amor e ódio, eternamente, enquanto durou.


- Burrrp!


- Nossa, que vigor! Vejo que a cerveja está descendo bem e a minha história também. Se está bom, continuo! O monstro acumulou um tesouro considerável- e mostra no mapa, a localização exata- intocado até hoje, mesmo depois de cem anos. Eu seja, a oportunidade perfeita para aventureiros fortes e corajosos! Como eu consegui esse mapa? Você me perguntaria. Eu conversei com o filho de um amigo do irmão do Duque. O pobre nobre morreu esses dias de caganeira, muito triste. Antes de morrer, ele confirmou toda a história.


- Quanto você quer para calar essa boca?- E encara-o, ainda mastigando.


- Vejo que você se interessou, que maravilha! Sabe, já sou um velho, não posso sair por aí enfrentando monstros e dormindo ao relento. Posso morrer a qualquer momento! Essa tarefa cabe aos fortes e valorosos de espirito que...


A fala é interrompida com um soco que marca o balcão.


- 6 moedas de prata- engolindo em seco. A negociação é rápida, o bárbaro entrega as moedas e pega o mapa.


O Taberneiro, que quase derrubara uma pilha de pratos, com o susto da pancada, serviu mais uma caneca de cerveja e falou:


- Esse velho é um mentiroso. Quer levar todo mundo na lábia, se o senhor quiser o seu dinheiro de volta, eu chamo a guarda da cidade. Esse mapa é falso, ele enganou um ontem. Não intervi antes, pois não achei que o senhor o levaria a sério. E pelas normas na cidade, só posso expulsar um freguês, em caso de confusão.


- Não precisa, homem da cerveja. E de um gole, deixou a caneca meio cheia. O mapa é verdadeiro.



- Não é possível, meu senhor, como eu disse, aquilo é um larápio.


- Não duvido que ele seja, e um tagarela. Em outras circunstâncias, estaria calado, mas engasgado com o próprio sangue. De qualquer forma, o mapa é verdadeiro. Se alguém foi enganado, foi ele! A lenda foi mal contada, eu conheço a versão verdadeira. E um amigo que está preso, me ensinou a identificar falsificações. Demorei a aprender, não consigo ser bom nisso, mas sei o suficiente para não ser enganado por um velhote daqueles. Vamos, me sirva um faisão e mais algumas canecas de cerveja que amanhã a missão está garantida. E teremos um recomeço!

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