Perdidos na masmorra.

 Tudo ia bem, até cair aquelas pedras. Maldita armadilha! Para não morrer, separei-me do grupo. Estou sem o mapa, fico desorientado. A pouca luz que ilumina os meus passos vem de uma gosma verde grudada nas paredes... no chão... no teto, enfim, em todos os lados. Aquilo me dá ânsia de vômito, mas agradeço aos deuses mesmo assim.


Perdido no espaço, ando por horas. Ou já seriam dias? Sem a noção do tempo, sinto fome e sede. Cansado. Todos sobreviveram? Ou só eu sobrevivi? Ou só eu morri? Ou ninguém vai viver? A dor no meu joelho me convence de que a primeira e segunda alternativas são as mais prováveis, apesar de ser questão de tempo que essas probabilidades aumentem para terceira e quarta opções.


Cansado, sento-me para descansar, tomar folego. Fecho os olhos para ver a minha donzela, aquela que me fez viajar para tão longe e entrar nessa enrascada. A esperança de dias melhores, um futuro feliz com a pessoa amada. Grandes tesouros serão encontrados, vá e volte, disseram-me o pai dela. Espero sobreviver para voltar e conquistar o meu verdadeiro tesouro.



Abro os olhos e não me vejo determinado a sobreviver. Vejo o meu corselete de couro sem a placa do ombro direito e os flancos arrebentados. Desarmado, estou indefeso. A calça está molhada de sangue e o ferimento faz a minha perna fazer uma curva em um ângulo estranho. Cabelo desgrenhado, olho esquerdo inchado e um corte na testa na iminência de sangrar. Não, eu não estou me desmotivando, eu estou literalmente vendo isso na minha frente! Um espelho no meio do caminho? De onde veio isso? O meu reflexo ondula e ataca! Fico submerso em outra atmosfera, mais fluida e gelada. Falta-me o ar, não consigo falar e por mais que me movimente, não saio do lugar! Não consigo respirar...gritar... me movimentar... pensar...


Acordo tossindo, após uma tentativa bem sucedida de ressuscitação. Ali estavam meus amigos, ao meu redor, preocupados com a minha recuperação. Disseram-me que só eu me afastei do grupo e por pouco não morri, vitima de um afogamento de Cubo Gelatinoso. De fato, a mesma gosma grudada nas paredes é a mesa que agora me cerca, só que em volumes dez vezes maiores, agora escurecida pelo fogo, que ainda crepita, aqui e acolá. Ainda não encontramos o tesouro, e o meu, não desistirei de encontrar.

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